EX-PRESIDENTES
Flávio Bacchini
Flávio Bacchini: O Modernizador que Blindou a ACA contra a Crise Econômica
ABAETETUBA – Entre os nomes que moldaram a Associação Comercial de Abaetetuba (ACA), Flávio Bacchini destaca-se como o gestor que uniu visão patrimonial e pragmatismo financeiro em um dos períodos mais instáveis da economia brasileira. Sócio-fundador desde a manhã histórica de 18 de setembro de 1966, Bacchini atravessou décadas de atuação até assumir a presidência em um momento de transição física e turbulência inflacionária.
Ascensão e a Consolidação da Nova Sede (1986)
Flávio Bacchini foi eleito por aclamação em 12 de setembro de 1986, sucedendo Janir Nery logo após a conclusão da sede própria na Avenida Dom Pedro II. Sua gestão começou com uma meta clara: oxigenar o quadro social. Bacchini liderou uma campanha agressiva de filiação em massa, focando não apenas no centro, mas nos comerciantes dos bairros periféricos e das novas zonas de expansão urbana.
Antes mesmo da presidência, ele já demonstrava um perfil técnico e combativo. Em maio de 1986, durante debates sobre a precariedade sanitária do município, foi Bacchini quem apontou as prerrogativas legais da SESPA para interditar estabelecimentos insalubres, cobrando uma postura firme contra matadouros clandestinos.
O Escudo contra o Plano Cruzado e a “Revolução da Xerox”
O maior desafio de sua administração foi gerenciar o impacto do Plano Cruzado II. Em outubro de 1986, Bacchini liderou reuniões tensas onde os lojistas manifestavam profunda apreensão com o “degelo” de preços e a escassez de produtos. Para resguardar o empresariado, ele intensificou o diálogo com a Federação das Associações Comerciais (FACIAPA) em busca de suporte jurídico e técnico.
Contudo, seu marco mais célebre foi a compra da máquina Xerox em 27 de fevereiro de 1987. Em uma jogada estratégica de “capitalismo de guerrilha”, Bacchini adquiriu o equipamento da Xerox do Brasil para que a associação prestasse serviços de cópia. Em tempos de hiperinflação, onde o caixa da entidade era corroído diariamente, o serviço de Xerox tornou-se uma impressora de receita alternativa, garantindo a sobrevivência financeira da casa e permitindo até a contratação de assistência odontológica para os sócios.
Infraestrutura e Articulação Política
Bacchini não se limitou às questões internas. Sua gestão foi marcada por protestos veementes contra a Rede Celpa, devido às constantes quedas de energia que queimavam motores de frigoríficos e panificadoras, e contra o estado de calamidade das ruas tomadas pela lama.
No campo político, ele oficializou o convite ao Deputado João de Deus Ferreira para que este prestasse contas de suas ações em prol de Abaetetuba, demonstrando que a ACA agiria como um bloco de pressão sobre o poder público.
Transição e Vigilância Estatutária
Após transmitir a presidência de volta a Janir Nery em novembro de 1987 — em uma assembleia que ele próprio ajudou a organizar como membro da comissão de reforma do estatuto —, Bacchini continuou na linha de frente como 1º Vice-Presidente.
Em 1988, assumiu interinamente a presidência durante uma licença de 60 dias de Janir Nery, mantendo a rotina administrativa e a defesa patrimonial, como no caso da doação do terreno para a Sede Campestre pelo Prefeito João Alberto Bittencourt.
Bacchini encerrou sua fase mais ativa nos registros como um vigilante da transparência, chegando a protestar formalmente em 1989 contra falhas na convocação de eleições, exigindo que o estatuto fosse cumprido à risca para garantir a lisura democrática da entidade.
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