EX-PRESIDENTES
Messias Sigmaringa P. Cardoso
Messias Sigmaringa P. Cardoso: O Escriba de Ferro, Presidente de Transição e Voz Ativa da ACA
ABAETETUBA – Se os arquivos históricos da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba (ACA) gozam hoje de precisão e riqueza de detalhes, muito se deve à caneta rigorosa e ao espírito de liderança de Messias Sigmaringa Pereira Cardoso (frequentemente registrado como Messias S. P. Cardoso ou Messias S. Cardoso). Atuando como o “escriba oficial” da entidade em períodos cruciais, ele ascendeu à presidência executiva em uma época de graves crises econômicas e permaneceu, por quase duas décadas, como um dos maiores defensores da autonomia empresarial e da segurança pública no município.
O Escriba da Nova Era: A Peça de Continuidade (1993–1995)
A trajetória de Messias Sigmaringa ganhou projeção em 25 de agosto de 1993, quando foi eleito 1º Secretário da Diretoria Executiva na chapa de consenso encabeçada por Cláudio Dias Negrão. Naquela função, Messias tornou-se a peça central de continuidade administrativa da casa, sendo o responsável direto por redigir e lavrar as atas que documentaram a sobrevivência financeira da ACA no auge da inflação.
Com sua escrita minuciosa, ele registrou marcos históricos da transição econômica brasileira para o Plano Real, como:
- As dramáticas reuniões de reajuste emergencial de mensalidades, que saltaram de CR150,00 para CR 3.500,00 em poucos meses para proteger as contas da inflação;
- A conversão preventiva e o congelamento das mensalidades em 2,50 URVs, uma estratégia que blindou o caixa da associação;
- O início das obras físicas na Sede Campestre, desde o levantamento do primeiro muro perimetral até a perfuração do poço artesiano.
A Presidência da Resistência e das Crises Superadas (1995–1996)
Após sua destacada atuação na secretaria, Messias Sigmaringa assumiu a Presidência da Diretoria Executiva da ACA para o mandato seguinte. Sua gestão ocorreu em um período de consolidação da moeda nacional estável, mas de profundas dificuldades para o lojista do interior.
Em 26 de outubro de 1996, ao transmitir o cargo de presidente para Jorge Dohara, Messias realizou um emocionante discurso de despedida. Diante de uma plateia de autoridades municipais, judiciais e bancárias, ele fez uma detalhada explanação de seu mandato, agradecendo aos seus companheiros de diretoria e relatando as graves crises financeiras que o comércio local havia conseguido superar sob a sua liderança.
O Guardião do Patrimônio e a Cobrança Política (1996–1997)
Demonstrando desprendimento e amor à causa associativista, Messias não se afastou da entidade após deixar a presidência. Na gestão de Jorge Dohara, aceitou o cargo de 2º Tesoureiro e, logo depois, em uma reorganização de cargos em novembro de 1996, assumiu como Diretor de Produção.
Nesse período de transição, Messias destacou-se por sua exigência de rigor e transparência administrativa:
- Transição de Bens: Em outubro de 1996, ele exigiu formalmente a leitura e a entrega de um inventário detalhado de todos os bens recebidos e adquiridos na gestão passada à nova Diretora de Patrimônio, Nilzaria Corrêa, garantindo a lisura patrimonial da casa.
- Independência frente ao Poder Público: Em dezembro de 1996, durante os preparativos para receber o prefeito eleito Elzemar Paes, Messias criticou publicamente a postura do novo governante. Ele defendeu com firmeza que o prefeito é quem deveria ter tomado a iniciativa de procurar a ACA para discutir as melhorias necessárias para a classe empresarial de Abaetetuba.
Engajamento Social e Sucessão no Novo Milênio (1998–2000)
Reeleito Diretor de Produção para o biênio 1998/2000 na chapa “Ano 2000 Ideal”, Messias tornou-se um dos motores das ações de responsabilidade social da ACA. Em 1999, ele assumiu a linha de frente da campanha “Natal do Menor Carente”, que visava arrecadar doações para crianças e dependentes químicos. Além de contribuições financeiras do próprio bolso, Messias participou ativamente no trabalho “corpo a corpo”, batendo de porta em porta nos comércios locais para sensibilizar os colegas empresários.
Na virada do milênio, com a eleição de José Raimundo Silva Cardoso para a presidência, Messias passou a atuar como Suplente da Diretoria Executiva, garantindo que as gestões mais jovens pudessem contar com seu aconselhamento e histórico operacional.
O Protesto contra a Insegurança e as “Propostas de Força” (2011)
O nome de Messias Sigmaringa voltou a ecoar com força nos debates da ACA em 4 de janeiro de 2011, durante uma das reuniões mais tensas da história da instituição, convocada após o sequestro do irmão de um associado.
Diante do clima de medo e da impunidade que assolavam o comércio, Messias subiu à tribuna em tom de forte indignação. Com visão estratégica para desarticular a logística do crime organizado local, ele apresentou uma proposta ousada: pressionar formalmente as agências bancárias locais para que bloqueassem a liberação de grandes quantias de dinheiro em espécie destinadas a pagar resgates de sequestros. Ele exigiu que a associação liderasse uma comitiva para se reunir imediatamente com os gerentes bancários locais para pactuar essa barreira de segurança.
De escriba impecável a presidente resiliente e conselheiro destemido, Messias Sigmaringa P. Cardoso gravou seu nome na história de Abaetetuba como o líder que deu voz, ordem e proteção ao comércio local por mais de vinte anos.
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