EX-PRESIDENTES
Jorge Dohara
Jorge Dohara: O Visionário que Informatizou a ACA e Conectou o Comércio de Abaetetuba à Modernidade
ABAETETUBA – Se a Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba (ACA) consolidou sua transição para a era digital e ganhou peso político e técnico na virada do milênio, muito se deve à gestão pioneira de Jorge Dohara. Eleito em meados da década de 1990, Dohara não foi apenas um presidente de transição; ele foi o engenheiro da modernização administrativa da entidade, responsável por introduzir computadores na sede, articular a vinda de órgãos vitais como a JUCEPA e implementar ferramentas indispensáveis de proteção ao crédito.
A Aclamação e o Choque de Gestão (1996)
A trajetória de liderança de Jorge Dohara ganhou os holofotes em 11 de agosto de 1996, quando foi eleito por unanimidade à presidência da ACA sob a bandeira da “Chapa Renovação”. Sua posse solene, em 26 de outubro daquele ano, coincidiu com as celebrações do 30º aniversário de fundação da casa e reuniu o alto escalão político e judiciário local, além de representantes do SEBRAE-PA, da UFPA e de gerentes do Banco do Brasil e do Banpará.
Demonstrando dinamismo imediato, Dohara implementou uma cartilha informativa de sua própria autoria para esclarecer os associados sobre os serviços da ACA e lançou o primeiro projeto de iluminação natalina do centro comercial em parceria com a CDL.
A Revolução Tecnológica: O Primeiro Computador
Sob o comando de Dohara, a ACA aposentou em definitivo as velhas dinâmicas analógicas de secretaria. Em outubro de 1996, o presidente apresentou à diretoria um cheque de doação significativa que havia articulado. Com o aval enfático do Dr. Brandão, que destacou a urgência de modernização, a quantia foi revertida na compra parcelada do primeiro microcomputador moderno da instituição, agilizando drasticamente os serviços burocráticos e o cadastro de associados.
As Grandes Conquistas: JUCEPA e SCPC (1996–1997)
Dohara compreendeu rapidamente que a ACA precisava oferecer soluções concretas de sobrevivência para o mercado. Ele liderou pessoalmente duas grandes conquistas estruturais:
- JUCEPA: Ainda no final de 1996, Dohara iniciou as articulações políticas que resultaram na implantação da Junta Comercial do Estado do Pará (JUCEPA) em Abaetetuba, reformando o prédio da associação para abrigar o órgão.
- SCPC: Em abril de 1997, em parceria com a CDL, implementou o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) no município, definindo taxas acessíveis de R$ 5,00 para que as firmas locais se blindassem contra calotes. Mais tarde, em 1999, introduziria também o sistema Telecheque.
Firmeza Política e Liderança Cívica (1996–1999)
Dohara nunca hesitou em cobrar o poder público. Em dezembro de 1996, reuniu a diretoria para traçar uma lista de exigências rígidas ao prefeito eleito Elzemar Paes, cobrando o remanejamento de vendedores ambulantes para o calçadão, a criação da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, asfaltamento e reformas de saneamento.
Em 1998, foi reeleito por aclamação na chapa “Ano 2000 Ideal”, expandindo sua atuação para o campo social ao coordenar pessoalmente as campanhas do “Natal do Menor Carente” e de apoio material a dependentes químicos e ao Corpo de Bombeiros.
O Eterno Conselheiro da ACA
Ao passar o cargo em setembro de 2000 para José Raimundo Silva Cardoso, Jorge Dohara manteve-se profundamente ativo como conselheiro:
- Seleção de Talentos: Em 2001, foi encarregado pessoalmente de entrevistar e selecionar candidatos a office boy para a sede.
- Defesa da Inclusão: Em 2002, usou sua própria experiência empresarial para sensibilizar os lojistas a contratarem deficientes físicos através da ADEMA, citando uma ex-funcionária sua que desempenhava funções com excelência.
- Negociação e Austeridade: Foi ele quem orientou a diretoria a renegociar judicialmente faturas abusivas com a Xerox do Brasil em 2002.
- Selo do Muriti: Anos mais tarde, em dezembro de 2008, Dohara voltou a subir à tribuna como uma voz influente para defender que o tradicional Festival do Muriti retornasse para a praça pública e cobrar ações urgentes das autoridades contra a onda de assaltos na cidade.
Jorge Dohara é recordado pela crônica de Abaetetuba como o administrador arrojado que abriu as portas da ACA para o século XXI, convertendo prestígio político em patrimônio e tecnologia para a classe trabalhadora.
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