EX-PRESIDENTES
Benedito Bitencourt Araújo
Benedito Bitencourt de Araújo: O Presidente Construtor que Empenhou o Próprio Bolso pelo Patrimônio da ACA
ABAETETUBA – Ao longo de quase duas décadas de dedicação à Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba (ACA), Benedito Bitencourt de Araújo consolidou seu nome como um dos gestores mais operacionais, desprendidos e focados na expansão física e administrativa da entidade. De um discreto início como escrutinador eleitoral em 1996 a um mandato presidencial marcado por sacrifícios financeiros pessoais e pela modernização tecnológica na transição para a década de 2010, Araújo provou que a solidez de uma instituição se constrói com coragem e espírito de corpo.
A Formação de um Guardião Patrimonial (1996–2002)
A primeira aparição formal de Benedito Bitencourt nos registros da ACA deu-se em 11 de agosto de 1996. Naquela data, ele atuou como escrutinador na Assembleia Geral que elegeu de forma unânime a “Chapa Renovação”, encabeçada por Jorge Dohara. Em novembro do mesmo ano, seu nome foi integrado oficialmente à gestão como membro suplente do Conselho Fiscal.
Sua vocação para a preservação física da entidade ficou nítida em agosto de 1998, quando elegeu-se Diretor de Patrimônio na chapa “Ano 2000 Ideal”. Nessa função, ele zelava pelos bens da sede e apoiava diretamente as causas sociais da ACA, integrando, em novembro de 1999, a comissão executiva responsável pela histórica campanha “Natal do Menor Carente”. Com a virada do milênio, sua competência na área patrimonial foi amplamente chancelada pelo novo presidente eleito, José Raimundo Silva Cardoso, que o reconduziu para o mesmo cargo de Diretor de Patrimônio no biênio 2000–2002.
A Presidência da Coragem e do Sacrifício Pessoal (2008–2010)
Em meados de 2008, Benedito de Araújo assumiu o cargo de Presidente da Diretoria Executiva da ACA, herdando uma associação em pleno crescimento físico, mas cercada de desafios fiscais e operacionais. Seu mandato foi marcado por um choque de atitude e uma cobrança firme sobre a diretoria. Em dezembro de 2008, ele proferiu uma frase que ecoou no plenário como um manifesto de sua gestão: “Temos diretores que vão trabalhar, outros vão recuar com medo”.
Obras no Prédio e Financiamento do Próprio Bolso
A grande marca da gestão de Benedito foi o avanço das obras do anexo da sede administrativa da ACA na Avenida Dom Pedro II. Em agosto de 2008, a construção estava adiantada, mas gerando um volume exaustivo de trabalho físico e financeiro.
O fato mais extraordinário de seu desprendimento ocorreu no encerramento de seu mandato, em agosto de 2010. Para evitar a paralisação das obras de reforma e ampliação do prédio administrativo da associação, Benedito assumiu pessoalmente as dívidas decorrentes das obras em seu próprio nome, deixando o valor registrado no balanço de transição para ser ressarcido pela entidade futuramente, blindando a ACA de interrupções físicas em seu prédio.
Informatização e Modernização Tecnológica
Benedito compreendeu que a ACA precisava acompanhar a evolução do mercado. Em 2008, coordenou a venda de um terreno da associação e converteu 100% dos recursos obtidos na aquisição de 4 computadores modernos para a sede, equipando o espaço para novos serviços corporativos. Sob o seu comando, a ACA consolidou o serviço de emissão de Certificados Digitais para as firmas da região, renegociou o contrato de link de internet com a Prontonet (reduzindo o custo de R$ 600,00 para R$ 300,00) e instalou uma sala própria para o consultório odontológico da entidade.
Rigores com Parcerias e Contratos
Fiel ao seu histórico de Diretor de Patrimônio, Benedito combateu o desperdício de receitas. Em janeiro de 2010, ao constatar que o SEBRAE utilizava as salas da ACA para ministrar seus cursos sem realizar repasses financeiros — enquanto a associação arcava sozinha com as altas faturas de energia elétrica —, ele exigiu que o Sebrae assinasse um contrato formal de aluguel por evento. Da mesma forma, cobrou o despejo e retomada de salas alugadas a inquilinos inadimplentes.
A Batalha do Miritifest e a Responsabilidade Fiscal
A gestão de Benedito enfrentou tempos difíceis no setor turístico. O festival Miritifest de 2009 foi considerado financeiramente e organizacionalmente “fraco” devido à omissão de divulgação da prefeitura. No entanto, agindo de forma cirúrgica, a administração de Benedito quitou uma dívida antiga de R$ 2.000,00 ligada ao evento e conseguiu registrar os toldos e tendas do festival como patrimônio definitivo da ACA.
Para evitar o endividamento futuro da instituição, em novembro de 2010, Benedito propôs uma saída tática aceita por unanimidade: a venda desses toldos patrimoniais para liquidar todas as contas pendentes da ACA e o repasse definitivo da organização do Miritifest para a ASAMAB (Associação dos Artesãos de Miriti), mantendo a ACA estritamente como parceira institucional e salvando o caixa de novas perdas.
Gestão de Crises e Transição Transparente (2010)
Nos últimos meses de seu mandato, Benedito conduziu duas crises severas com serenidade:
- A Crise Trabalhista: Enfrentou um processo no Ministério do Trabalho movido por uma ex-funcionária que exigia o registro de sua carteira profissional. Benedito acionou o suporte jurídico para realizar os cálculos adequados e evitar multas desastrosas para o caixa associativo.
- O Vazamento do SERASA: Contornou uma “falha gravíssima” cometida por uma diretora que consultou e vazou documentos confidenciais do SERASA para terceiros, ameaçando a ACA de processos judiciais por danos morais. Ele cobrou e obteve uma declaração formal da diretora assumindo total e exclusiva responsabilidade pelo ato, isentando a ACA.
Ao transmitir a presidência para Marinoel Manolo de Sousa, em setembro de 2010, Benedito entregou uma entidade saneada, moderna e com metas estratégicas de desenvolvimento sustentável em pleno andamento.
O Retorno à Militância de Base (2012)
Demonstrando que sua dedicação à classe comercial independia de cargos, Benedito (carinhosamente tratado nas atas como “Bené”) retornou à base comunitária de Abaetetuba. Em janeiro de 2012, ele integrou os grupos de trabalho de campo da ACA voltados para o projeto de descentralização, deslocando-se pessoalmente para os bairros de São Lourenço, São José e São João para ouvir lojistas locais e mapear as deficiências de trânsito, infraestrutura e segurança da região.
Benedito Bitencourt de Araújo gravou seu nome na história de Abaetetuba como o presidente que investiu o próprio capital e trabalho para estruturar as fundações físicas do associativismo local.
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