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Associação Comercial de Abaetetuba

GALERIA DOS

EX-PRESIDENTES

Galeria histórica dos presidentes da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba
Cláudio Dias Negrão

Cláudio Dias Negrão

Ex-Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba
1993–1995

Cláudio Dias Negrão: O Construtor que Estruturou a Sede Campestre e Modernizou a ACA na Era do Real

ABAETETUBA – Se o início dos anos 1990 exigiu das lideranças empresariais de Abaetetuba um “capitalismo de guerrilha” para sobreviver à hiperinflação, a transição para a estabilidade monetária demandou construtores de longo prazo. É nesse cenário de profunda mudança que se destaca a trajetória de Cláudio Dias Negrão, o presidente que tirou do papel as obras físicas da Sede Campestre e modernizou a estrutura jurídica e administrativa da Associação Comercial de Abaetetuba (ACA).

Da Atuação de Bastidores à Presidência (1992–1993)

Antes de assumir o posto de comando máximo da entidade, Cláudio já vinha pavimentando seu caminho como uma liderança participativa. Em fevereiro de 1992, ingressou de forma ativa na reestruturação da ACA como membro vogal, chegando a secretariar os trabalhos da Assembleia Geral Extraordinária. Em maio do mesmo ano, seu perfil técnico o credenciou a integrar a recém-formada Comissão de Edificações da Sede Campestre da A.C.A., grupo encarregado de viabilizar o grande sonho patrimonial dos associados.

Sua ascensão definitiva ocorreu em 25 de agosto de 1993, quando foi eleito Presidente da Diretoria Executiva por unanimidade, encabeçando uma chapa única de consenso ao lado de seu vice-presidente, Hélio Dias Negrão. Em sua posse solene, em 8 de setembro de 1993 — que contou com a presença do Prefeito Municipal e de gerentes bancários —, Cláudio assumiu o compromisso público de que o foco prioritário de seu mandato seria o início das obras estruturais no terreno campestre.

A Batalha contra a Inflação e o “Muro de Proteção” (1993–1994)

Os primeiros meses de sua gestão foram um teste de resistência financeira. Com a moeda nacional derretendo antes da conversão para a URV, o caixa da sede administrativa operava no limite. Para proteger o poder de compra da ACA, Cláudio liderou reajustes sucessivos nas mensalidades, que saltaram de CR$ 150,00 para CR$ 500,00, passando depois por CR$ 1.200,00 e CR$ 3.500,00 em fevereiro de 1994.

O grande trunfo financeiro que viabilizou os planos da nova diretoria foi o sucesso estrondoso da Festa do Comércio de dezembro de 1993. O evento gerou um lucro líquido recorde de CR$ 184.250,00. Sob orientação da diretoria, Cláudio determinou que 70% desse lucro fosse imediatamente convertido em materiais de construção (tijolos, cimento e areia) e mão de obra. Em abril de 1994, a ACA celebrava sua primeira grande vitória física: a conclusão total do muro de fechamento perimetral da Sede Campestre, protegendo e demarcando formalmente o valioso terreno contra invasões.

A Estabilização do Real e a Conquista da “Maloca” (1994–1995)

A introdução do Plano Real, em julho de 1994, mudou definitivamente o patamar da gestão de Cláudio Negrão. A associação atuou ativamente como um polo informativo na transição econômica, distribuindo panfletos explicativos sobre as regras de conversão monetária para o comércio local. Graças à fixação preventiva da mensalidade em 2,50 URVs (convertida automaticamente em R$ 2,50 sem perdas), as finanças da ACA mantiveram-se blindadas e saudáveis.

Livre das amarras da hiperinflação diária, a gestão pôde focar em investimentos de longo prazo. Ainda em 1994, Cláudio contratou a sondagem e perfuração de um poço artesiano e a instalação de uma bomba d’água no terreno campestre, iniciando logo a seguir as tratativas com a Celpa para a extensão da rede elétrica.

A Festa do Comércio de dezembro de 1994, o primeiro evento corporativo realizado sob a vigência do Real estável, gerou um lucro histórico de R$ 4.850,00. Cláudio reverteu esse superávit diretamente em obras. Em fevereiro de 1995, sua diretoria iniciou o projeto da “Maloca”, um pavilhão coberto de eventos na Sede Campestre. O presidente empenhou-se pessoalmente na logística, indo negociar diretamente com fornecedores e serrarias da região das ilhas de Abaetetuba para adquirir os esteios e vigas de madeira de lei necessários para sustentar a estrutura.

Modernização Interna e Protagonismo Político

A gestão de Cláudio Negrão também foi marcada por avanços de gestão e representatividade civil:

  • Informatização e Suporte: Visando acelerar e modernizar a comunicação com Belém, a diretoria aprovou a compra de uma máquina de escrever eletrônica de última geração para a secretaria da ACA.
  • Plano Diretor Urbano (1994): Em maio de 1994, Cláudio inseriu oficialmente a ACA nas comissões de elaboração do Plano Diretor de Abaetetuba, garantindo que os interesses da classe comercial e o desenvolvimento logístico da cidade fossem contemplados pelo poder público.
  • Reforma Estatutária (1994): Em outubro daquele ano, liderou uma Assembleia Geral Extraordinária para realizar alterações em artigos específicos do estatuto, garantindo maior amparo e segurança jurídica às decisões da Diretoria Executiva sob o novo cenário nacional.

O Legado como Conselheiro

Após transmitir o cargo em 1996, Cláudio continuou servindo à instituição. Ele assumiu o cargo de membro suplente da Diretoria Executiva na gestão de Jorge Dohara, atuou como Primeiro Secretário interino em assembleias de reorganização interna e, em setembro de 1998, auxiliou na condução da mesa solene de posse e comemoração do 32º aniversário da ACA.

Cláudio Dias Negrão é recordado nos registros históricos como o líder que transformou as receitas em tijolos, concreto e infraestrutura de lazer para os comerciantes abaetetubenses.

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