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Associação Comercial de Abaetetuba

GALERIA DOS

EX-PRESIDENTES

Galeria histórica dos presidentes da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba
Manoel da Silva Batista

Manoel da Silva Batista

Ex-Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba
1991–1993

A Saga de “Seu Jurita”: O Guardião do Patrimônio e da Firmeza Estatutária na ACA

ABAETETUBA – Na rica galeria de líderes que construíram a história da Associação Comercial e Empresarial de Abaetetuba (ACA), poucos nomes evocam tanta firmeza de princípios e dedicação prática quanto o de Manoel da Silva Batista.

Conhecido carinhosamente em toda a região como “Seu Jurita” — o dinâmico proprietário da tradicional firma A Socorro de Canindé Tecidos —, ele traçou uma trajetória de mais de quarenta anos de serviços dedicados ao empresariado. De participante ativo das assembleias nos anos 1970 a presidente executivo nos anos 1990, e mais tarde tesoureiro e conselheiro fiscal, “Seu Jurita” deixou uma marca indelével na consolidação patrimonial da instituição.

Da Militância de Base à Linha de Frente (1971–1989)

A história de Manoel da Silva Batista com a associação comercial começou a ser escrita nos registros manuscritos de maio de 1971, época em que participava ativamente das reuniões na antiga sede na Rua Siqueira Mendes. Ele estava lá quando a classe debatia a isenção de impostos, a precariedade da energia elétrica e o rateio de custos internos. Sua assinatura consta no histórico livro de presenças do 7º aniversário da entidade, em 1973.

Em julho de 1981, sua liderança silenciosa foi reconhecida ao ser eleito Membro Suplente da Diretoria Executiva na chapa de Francisco Maués Carvalho. Em maio de 1988, demonstrando seu compromisso de manter as portas da entidade abertas em tempos de hiperinflação, ele figurou na lista seleta de comerciantes que aceitaram triplicar suas contribuições para custear a contratação de uma secretária para a sede.

Nesse período, “Seu Jurita” já demonstrava sua visão de que a força de uma associação comercial reside na exclusividade de seus membros, lembrando aos colegas uma célebre conversa com o ex-presidente da Associação Comercial do Pará, Alberto Massoud, sobre a importância de focar as ações apenas nos sócios contribuintes. Em novembro de 1989, foi aclamado Presidente da Mesa da Assembleia Geral para conduzir o conturbado processo eleitoral daquele ano, garantindo a lisura do pleito que reconduziu Janir Nery ao poder.

A Presidência da Vitória e a Conquista da Sede Campestre (1991–1993)

O ápice de sua liderança classista deu-se em meados de 1991. Em 9 de julho daquele ano, seu nome foi indicado em consenso pela plenária. Em 4 de agosto de 1991, em votação secreta de chapa única realizada na sede da Avenida Dom Pedro II, Manoel da Silva Batista foi eleito Presidente da Diretoria Executiva da ACA por uma esmagadora maioria de 29 votos favoráveis e apenas um contrário.

A marca de ouro de sua gestão de dois anos (biênio 1991/1992) foi a compra e regularização do terreno da Sede Campestre. Em um processo complexo que exigiu muito tato político e jurídico, “Seu Jurita” contornou divisões na comissão de compras, redigiu cartas-propostas detalhadas para dar transparência à transação e assumiu pessoalmente a responsabilidade direta pela assinatura da escritura pública da área. O terreno foi formalmente regularizado e registrado junto à Prefeitura e ao Departamento de Terras do Município.

Paralelamente, ele geriu o caixa com mão de ferro em meio à crise financeira nacional:

  • O “Capitalismo de Guerrilha”: Apoiou-se na receita gerada pela máquina copiadora da secretaria para manter o fluxo de caixa saudável.
  • A “Batalha da Xerox”: Protagonizou um célebre debate em outubro de 1992 com o diretor Manoel Nery Batista (Manelito). Enquanto o xará sugeria um desconto de 50% nas cópias, o presidente bateu o pé, argumentando que as tarifas já eram baratas e descontos só deveriam ser dados se a pessoa fosse sócia da instituição.
  • Gestão Monetária Rígida: Para proteger as contas da inflação antes do Plano Real, triplicou a mensalidade para Cr50.000,00 e, mais tarde, converteu os valores para a Unidade Real de Valor (URV), fixando−a em CR 150,00.

Em 8 de setembro de 1993, ao transmitir o cargo de presidente para Cláudio Dias Negrão, Manoel da Silva Batista entregou a associação com a Sede Campestre assegurada e as finanças com um expressivo saldo positivo.

O Escudo Cívico e o Combate à Violência (1995)

Fora da presidência da ACA, Manoel da Silva Batista manteve-se ativo na vida comunitária de Abaetetuba. Em 10 de abril de 1995, acumulando a representação do Rotary Club, ele assumiu a linha de frente de um tenso debate sobre a segurança pública local.

Após sofrer um assalto em seu próprio comércio (“A Socorro de Canindé Tecidos”), “Seu Jurita” subiu à tribuna da ACA para denunciar que as lojas centrais eram roubadas sistematicamente sem que houvesse punição ou solução nas investigações da Polícia Civil. Com coragem, ele criticou duramente o “empurra-empurra” mútuo de culpas entre a Polícia Civil e a Polícia Militar que deixava a sociedade desamparada, exigindo ações do poder público.

O Conselheiro, o Tesoureiro e o Adeus Emocionado (1998–2012)

Nas décadas seguintes, Batista continuou atuando como uma espécie de “bússola administrativa” da ACA. Integrou repetidamente o Conselho Fiscal (nos biênios 1998–2000 e 2000–2002). Em setembro de 1999, representou a ACA em Belém para investigar a liberação de recursos governamentais da Esplanada dos Ministérios voltados para campanhas de auxílio a crianças necessitadas.

Em 2003, assumiu o cargo de 1º Tesoureiro na gestão de Vicente de Paula Maciel Lobato. Naquela função, trabalhou para a regularização trabalhista de funcionários e integrou a comissão especial encarregada de visitar uma grande fábrica local que ameaçava fechar e demitir cerca de 60 trabalhadores, buscando intermediar uma solução. Em agosto de 2005, voluntariou-se a ir a campo para resolver os impasses jurídicos e cercar o terreno da Sede Campestre para evitar invasões.

A trajetória pública de Manoel da Silva Batista encerrou-se de maneira emblemática em 13 de março de 2012. Na mesma sede da Avenida Dom Pedro II onde tomou decisões tão cruciais, o ex-presidente proferiu um discurso histórico e profundamente emocionado, celebrando a bravura, o crescimento e a evolução da entidade que ele ajudou a moldar ao longo de quarenta anos.

“Seu Jurita” é lembrado nos anais da instituição como o pilar da solidez financeira, do rigor ético e do amor incondicional ao comércio de Abaetetuba.

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